Arquivo mensais:abril 2012

Haicai

Contribuição do nosso admirável mestre, João Toloi.
Haicai, poesia das estações
Edson Kenji Iura
kakinet@gmail.com
Palestra proferida durante o 23º Encontro Brasileiro de Haicai (São Paulo, 05/11/2011)
Reclamamos que, em cidades como São Paulo, há quatro estações num só dia, e que faz frio na
primavera e calor no inverno. Cabe lembrar que as estações foram inventadas pelo homem, mas
este, aparentemente não avisou a natureza. É por isso que levamos tantos sustos. Como invenção do
homem, era de se esperar que ele emprestasse contornos humanos a cada uma das estações,
estabelecendo analogias que foram exploradas pela poesia. O haicai é exemplo de poesia totalmente
fundamentada no caráter das estações.
1. A origem das estações
No início, o homem apenas coletava e caçava, e por isso vivia apenas o presente, sem ter certeza do
futuro. Com a invenção da agricultura, ele descobriu que podia plantar, colher e armazenar comida
para os momentos de escassez. Logo percebeu também que havia épocas certas para semear.
Para se planejar, o homem inventou o calendário, que tinha a duração de um ano e que, ao ajudá-lo
a contar os dias e a perceber a passagem do tempo, também servia para marcar as épocas boas para
semear, colher e armazenar seus alimentos, ou simplesmente descansar, esperando por dias
melhores. Repartiu o calendário em épocas às quais deu o nome de estações.
Estação vem do latim statione, e quer dizer parada ou estada. Pode ser uma estação de trem, ou uma
estação da Via Crucis. No caso das estações do ano, não é a Natureza que estaciona. É o homem
que estabelece pontos de referência artificiais, em sua jornada ao longo do ano, onde ele “estaciona”
para observar a Natureza. Ele verificou que certas características de clima, calor ou frio se repetiam
regularmente, em determinadas épocas, e a essas deu o nome de estações do ano.
Os nomes das estações, primavera, verão, outono e inverno, foram atribuídos pelos romanos. No
início, eram apenas duas: ver ou veris,o bom tempo, das flores e dos frutos, e hiems ou hibernus
tempus, o mau tempo, de chuva e frio. Aos poucos, a estação boa foi dividida em três partes: primo
vere (primavera, o começo do bom tempo), veranum tempus (verão, o auge da boa estação) e aestas
ou aestivum (estio ou estiagem, de tempo mais seco). Quanto à estação má, foi dividida em tempus
autumnus (outono, tempo da colheita) e tempus hibernus (inverno, a má estação).
Este sistema de cinco estações, primavera, verão, estio, outono e inverno, foi usado até o século 16.
A partir do século 17, achou-se mais interessante dividir o ano em quatro partes iguais, de três
meses cada uma, separadas pelos equinócios (momento em que a duração do dia se iguala à da
noite) e solstícios (momento em que ocorre o dia mais longo ou a noite mais longa). Para fazer isso,
unificaram o estio com o verão, formando um sistema de quatro estações, primavera, verão, outono
e inverno, que é usado até hoje. Cabe lembrar que as estações nos Hemisférios Norte e Sul são
opostas. As datas de início podem variar um pouco de ano para ano.
Data de início Hemisfério Norte Hemisfério Sul
21 de março (equinócio) Primavera Outono
21 de junho (solstício) Verão Inverno
23 de setembro (equinócio) Outono Primavera
21 de dezembro (solstício) Inverno Verão
2
2. O que dizem as estações
Através do calendário, o homem dividiu o ano em quatro partes iguais, às quais deu o nome de
estações. Como dissemos, trata-se de uma divisão artificial. Mas, mesmo dentro dessa
artificialidade, o homem percebia que a Natureza apresentava um aspecto diferente a cada estação,
sendo que cada uma era propícia a um certo tipo de atividade. O homem logo refletiu sua própria
condição nas estações que ele mesmo inventou, transformando-as em metáforas de sua própria vida.
Vamos resumir as características de cada estação.
Primavera: início do tempo bom, em que a natureza desperta de sua letargia, e tudo que parecia
estar morto ressurge renovado. É a estação do recomeço e da alegria: a temperatura amena, as
folhas voltando às árvores, flores e pássaros em todo lugar. O homem descobre que é uma época
boa para semear, pois tudo o que planta brota e cresce. A fertilidade da natureza enseja também o
desejo amoroso entre as pessoas, e por isso a primavera é considerada a estação do amor. Filhotes
de animais estão em todos os lugares, e por isso a primavera é também a estação da infância.
Verão: o tempo bom prossegue e atinge o auge. É a estação do sol. A natureza mostra toda a sua
exuberância e até seu exagero. As noites ficam mais curtas. O sol está abrasador, a folhagem está
luxuriante, as cigarras parecem explodir de tanto cantar. Por outro lado, insetos e pragas invadem as
casas dos homens e a comida deixada na mesa se estraga rapidamente. Para o homem, é hora de
capinar a lavoura, eliminando as ervas daninhas. O verão corresponde à idade adulta.
Outono: A força da natureza parece refluir. As manhãs e as tardes ficam cada vez mais frias. As
folhas começam a perder o viço e cair. Por outro lado muitas árvores estão carregadas de frutos. É a
época de colher o que foi plantado na primavera. A metáfora do tempo de colheita aplica-se à vida
humana, apontando a velhice como o outono da vida. Pode ser uma época de fartura e felicidade,
mas também pode ensejar a reflexão daquilo que o homem poderia ter sido, mas não foi. É uma
época de melancolia e saudade. Como na parábola do joio e do trigo, é apenas na colheita que se
separarão os bons dos maus.
Inverno: A natureza se fecha de vez. As árvores sem folhas parecem mortas. As noites são longas, o
frio pode trazer a neve, e é impossível plantar qualquer coisa. Os animais, entocados, desaparecem,
e assim as pessoas também se recolhem, à espera da volta do bom tempo. Caso elas não tenham
estocado víveres, como resultado de colheitas ruins ou imprevidência, elas poderão até perecer.
Como na fábula, o inverno pode significar uma época de descanso e quietude, como acontece com a
formiga previdente, ou de escassez e de proximidade da morte, como sentiu a cigarra perdulária.
O homem gostou tanto do simbolismo das estações que passou a usá-lo na sua poesia, e isso
independentemente de estar num lugar de clima temperado ou tropical. Em qualquer lugar, seja no
sertão do nordeste, ou na floresta amazônica, os poetas vão encontrar momentos de primavera,
verão outono e inverno. Os valores das estações são universais.
3. O haicai e as estações
Descobrimos os valores simbólicos das estações, que podem ser usados na poesia. Mas existe um
gênero poético que se apoia totalmente no diálogo do homem com a natureza ao constatar a
passagem das estações. É o haicai.
No Japão, onde surgiu, o haicai sempre dava um jeito de citar o local e a época em que foi escrito.
Isso quer dizer que era o relato de um momento particular, como uma foto de lembrança. As
3
palavras usadas para descrever a época passaram a ser conhecidas por kigo, que quer dizer
simplesmente palavra de estação. Como exemplos de kigos no Brasil, temos o ipê e o sabiá na
primavera, a cigarra e o Carnaval no verão, a paineira e o orvalho no outono, a geada e as festas
juninas no inverno.
A partir de Bashô (1644-1694), o kigo passou a ser usado como uma ferramenta para ligar a
experiência particular do haicai com as forças de mudança e renovação da natureza. Enfim, o kigo
tornou-se um meio para conectar o particular com o universal, o objetivo de toda a poesia.
Um kigo não é apenas um fenômeno ligado a uma estação. Ao construir uma ponte com a natureza,
o kigo permite recriar, de forma sintética, uma ambientação para o poema e uma teia de relações
poéticas. Vamos ver como isso funciona através de alguns exemplos.
No banco da praça
namorados trocam beijos—
Canta o bem-te-vi.
(Alberto Murata)
Uma cena comum, de um casal de namorados sentado em um banco de praça. Por outro lado, o
bem-te-vi é um kigo de primavera. Logo, imaginamos um dia de sol e temperatura agradável, que
favorece atividades ao ar livre. Podemos imaginar muita gente fazendo seus exercícios, passeando
com seus filhos, lendo ou fazendo piquenique sobre a grama. Entretanto, o casal permanece
totalmente alheio ao movimento e se concentra em carícias mútuas. A primavera é a estação do
amor, portanto o clima é totalmente favorável à paixão. Não sabemos de que tipo de casal se trata,
se adolescentes, idosos ou homossexuais. Isso fica por conta de nossa imaginação. O nome do bemte-
vi é uma onomatopeia de seu canto. Não é um canto melodioso. É um tipo de grito estridente,
que transforma esse pássaro no bisbilhoteiro da natureza, lembrando-nos de que sempre há pessoas
observando o que estamos fazendo, haja vista o sucesso dos reality shows. Muitos passam
indiferentes pelo casal, mas há quem se incomode, julgando ser uma imoralidade trocar carícias em
público, assim como há os solitários que suspiram, lamentando não terem um parceiro com quem
dividir um banco de praça.
Noite de insônia—
Perambulo pela varanda
contando vagalumes.
(João Toloi)
Nosso poeta está de pé certa noite, sem conseguir dormir. Ele sai de casa e fica na varanda,
tomando ar fresco e contando os vagalumes que aparecem como pontos luminosos cortando a
escuridão. Os vagalumes são kigos de verão. Podemos imaginar que é uma noite quente e curta de
verão. Nessa época, as pessoas aproveitam para ficar acordadas até tarde, conversando
animadamente ou vendo TV. Muitos vão passear, e as ruas estão sempre movimentadas. Mas
quando fica realmente muito tarde, todos vão dormir, exceto o autor. Este fica se revirando na cama,
empapado de suor e, a certa altura, resolve se levantar, escapando do quarto abafado. O problema
do verão não é tanto o calor dos dias. São as noites abafadas, que tornam o sono penoso. Há gente
que aproveita para dormir no quintal, talvez estendendo uma rede. O autor, ao invés de contar
carneiros na cama, resolveu contar vagalumes na varanda. Vagalumes não são comuns na cidade,
portanto podemos imaginar que a casa se situe no interior, talvez numa chácara ou sítio. Mas pode
haver outro motivo por trás dessa insônia, como um grande problema. Para esse caso, a
luminosidade tênue de um vagalume em meio às trevas carrega o simbolismo de esperança e
redenção frente às maiores dificuldades.
4
Apagando o risco
de giz neste quadro-negro—
Estrela-cadente.
(Sergio Dal Maso)
Estrela cadente é um kigo de outono, estação em que o ar fica mais seco, depois das chuvas do
verão e, portanto, é mais fácil ver os diversos fenômenos astronômicos. A lua fica mais bonita e
definida, e o céu fica mais estrelado. É boa época para ver a Via Láctea, e, de vez em quando, as
estrelas cadentes. Elas são, na verdade, meteoros, pedaços de outros corpos celestes que ficam
vagando pelo espaço e de vez em quando entram na atmosfera. Quando isso acontece, eles se
incendeiam devido ao atrito com o ar e deixam um rastro luminoso. O outono é um tempo de
reflexão e introspecção e, por extensão, é bom para estudar. O autor vislumbra a estrela cadente.
Talvez seja um idoso se lembrando dos tempos escolares. O risco de giz representa a estrela cadente
e o ato de passar o apagador remete à sua trajetória fugaz. A rapidez com que a estrela cadente
aparece e depois desaparece remete à própria vida humana, ela mesma tão breve. A crença popular
diz que devemos fazer um desejo ao avistar uma estrela cadente. Será que os desejos da juventude
desse idoso se realizaram?
A noite se arrasta—
De vez em quando uma tosse
do guarda noturno.
(Tânia D’Orfani)
O kigo é tosse. Dizem que a gripe de verão é a pior de todas. Entretanto, estatisticamente, é no
inverno que os ambulatórios estão mais cheios de gente sofrendo com afecções respiratórias. Por
isso, tosse é um indicativo de inverno. Nas noites de inverno ninguém fica pelas ruas, a não ser
aqueles que precisam trabalhar, como o guarda noturno. No frio, as ruas ficam mais silenciosas, por
isso a tosse do guarda noturno se ouve mais claramente. A autora percebe o guarda em sua ronda, se
aproximando cada vez mais, depois se afastando até desaparecer, tudo através do volume da tosse.
Depois de uma meia hora, começa tudo de novo. A autora talvez esteja solitária em sua casa, nessa
noite fria e longa de inverno. Ela gostaria de ir lá fora e conversar com o guarda noturno, saber o
porquê dessa tosse, se ele está se tratando e perguntar por sua família. Talvez lhe oferecesse um chá
quente, aproveitando para lhe agradecer por permitir que ela durma tranquilamente enquanto ele
cuida para que malfeitores fiquem afastados da vizinhança.
4. O kigo é a essência do haicai.
Vimos que, nos quatro exemplos anteriores, o kigo cria um vínculo do haicai com a natureza, o que
expande o seu significado para além de uma simples anotação sobre o momento.
Além disso, quando incluímos um kigo num haicai, estamos dialogando com todos os poemas que
usaram esse mesmo kigo, do passado até o presente. Estamos dialogando em dois níveis: um de
relações horizontais, isto é, podemos compartilhar nossas experiências com todos os nossos colegas
que usam o mesmo kigo, seja numa reunião para compor haicais, ou na coluna de haicais de um
jornal; também estamos dialogando num nível vertical, ou seja, esse compartilhamento se aprofunda
para incluir todos os poetas do passado que já usaram o mesmo kigo.
Fazendo uma analogia culinária, podemos pensar no caldo em tabletes, que contém o sabor
concentrado da carne de boi, da galinha ou dos legumes, e permite ao cozinheiro emprestar esse
sabor à sua comida de maneira prática. Esse caldo é concentrado e embalado em cubinhos, o que
permite sua utilização simples e cômoda a qualquer momento em que o cozinheiro necessite.
5
Agora, pensemos num grande caldeirão, onde podemos cozinhar todos os poemas do passado. O
caldo resultante, depois de apurado, concentra todo o entendimento poético que o homem acumulou
ao longo dos tempos. Esse caldo nutritivo, que vem sob a forma de pequenos cubinhos chamados
kigos, pode ser usado a qualquer hora e em qualquer lugar por qualquer um de nós, para invocar o
valor dos grandes poemas do passado às nossas experiências particulares.
O kigo, além de ser útil como ferramenta para conectar a experiência do aqui e agora com as
grandes forças da natureza, funciona como elo entre o passado e o presente, para estabelecer o
vínculo da nossa experiência com a literatura de todos os tempos, realçando ainda mais a aspiração
universalista do haicai.
Bibliografia
FRANCHETTI, Paulo (org.). Haikai: antologia e história. 3ª. ed. Campinas: Ed. Unicamp, 1996.
_______________________. Prefácio. Em GOGA, H. Masuda e outros. Haicai: a poesia do kigô.
São Paulo: Aliança Cultural Brasil-Japão, 1995.
GARCÍA TORTOSA, Francisco. Divertimento filológico sobre el otoño. Estudios ingleses de la
Universidad Complutense, Madri, n.2, 1994. Disponível em: http://revistas.ucm.es/index.php/
EIUC/article/viewFile/EIUC9494110033A/8515. Acesso em 01/11/2011.
GRÊMIO HAICAI IPÊ. Introdução ao haicai. 2ª. ed. São Paulo: Edição dos autores, 2008.
___________________. Lua na janela. São Paulo: Edições Caqui, 1999.
GURGA, Lee. Haiku: A poet’s guide. Lincoln: Modern Haiku Press, 2003.
HIGGINSON, William J. Haiku world: An international poetry almanac. Tóquio: Kodansha, 1996.
____________________. The haiku seasons: poetry of the natural world. Tóquio, Kodansha, 1996.
MORENO, Cláudio. Origem das estações do ano. Disponível em: http://wp.clicrbs.com.br/
sualingua/2009/04/30/origem-das-estacoes-do-ano/. Acesso em 01/11/2011.
NIHIRA, Masaru. Haiku o tsukurou (Vamos escrever haicai). Tóquio: Kodansha, 2000.
ODA, Teruko (org.). Goga e haicai: Um sonho brasileiro. São Paulo: Escrituras, 2011.
SHIRANE, Haruo. Traces of dreams: Landscape, cultural memory, and the poetry of Bashô.
Stanford: Stanford University Press, 1998.
6
Apêndice: Estações na poesia brasileira
As estações: canto e dança
Olavo Bilac
Em BILAC, Olavo. Poesias Infantis. RJ: Francisco Alves. 1929. Disponível em
http://www.unicamp.br/iel/memoria/Ensaios/LiteraturaInfantil/Poesias%20Infantis/Pi01.htm.
Acesso em 01/11/2011
Primavera
Coro das quatro estações:
Cantemos! Fora a tristeza !
Saudemos a luz do dia:
Saudemos a Natureza !
Já nos voltou a alegria !
A Primavera:
Eu sou a Primavera !
Está limpa a atmosfera,
E o sol brilha sem véu !
Todos os passarinhos
Já saem dos seus ninhos,
Voando pelo céu.
Há risos na cascata,
Nos lagos e na mata,
Na serra e no vergel:
Andam os beija-flores
Pousando sobre as flores,
Sugando-lhes o mel.
Dou vida aos verdes ramos,
Dou voz aos gaturamos
E paz aos corações;
Cubro as paredes de hera;
Eu sou a Primavera,
A flor das estações !
Coro das quatro estações:
Cantemos! Fora a tristeza !
Saudemos a luz do dia:
Saudemos a Natureza !
Já nos voltou a alegria !
Verão
Coro das quatro estações:
Que calor, irmãs ! Cantemos
Como ardem as ribanceiras
Cantemos, irmãs, dancemos,
À sombra d’estas mangueiras
O Verão:
Sou o Verão ardente,
Que, vivo e resplendente,
Acaba de nascer;
Nas matas abrasadas,
O fogo das queimadas
Começa a se acender.
Tudo de luz se cobre …
Dou alegria ao pobre;
Na roça a plantação
Expande-se, viceja,
Com a vinda benfazeja
Do provido Verão.
Sou o Verão fecundo !
Nasce no céu profundo
Mais rútilo o arrebol …
A vida se levanta …
A Natureza canta …
Sou a estação do Sol !
Coro das quatro estações:
Que calor, irmãs ! Cantemos
Como ardem as ribanceiras
Cantemos, irmãs, dancemos,
À sombra d’estas mangueiras.
7
Coro das quatro estações:
Há tantos frutos nos ramos,
De tantas formas e cores!
Irmãs ! enquanto dançamos,
Saíram frutos das flores!
O Outono :
Sou a estação mais rica:
A árvore frutifica
Durante esta estação;
No tempo da colheita,
A gente satisfeita
Saúda a Criação,
Concede a Natureza
O premio da riqueza
Ao bom trabalhador,
E enche, contente e ufana,
De júbilo a choupana
De cada lavrador.
Vede como o galho,
Molhado inda de orvalho,
Maduro o fruto cai …
Interrompendo as danças,
Aproveitai, crianças!
Os frutos apanhai!
Coro das quatro estações:
Há tantos frutos nos ramos,
De tantas formas e cores!
Irmãs ! enquanto dançamos,
Saíram frutos das flores!
Coro das quatro estações:
Cantemos, irmãs, dancemos!
Espantemos a tristeza!
E dançando, celebremos
A glória da Natureza!
O Inverno:
Sou a estação do frio;
O céu está sombrio,
E o sol não tem calor.
Que vento nos caminhos!
Tragos a tristeza aos ninhos,
E trago a morte à flor.
Há nevoa no horizonte,
No campo e sobre o monte,
No vale e sobre o mar.
Os pássaros se encolhem,
Os velhos se recolhem
À casa a tiritar.
Porém fora a tristeza!
Em breve a Natureza
Dá Flores ao jardim:
Abramos a janela!
Outra estação mais bela
Já vem depois de mim.
Coro das quatro estações:
Cantemos, irmãs, dancemos!
Espantemos a tristeza!
E dançando, celebremos
A glória da Natureza!
8
Cântico à natureza (As quatro estações do ano)
Samba enredo de 1955 da Estação Primeira de Mangueira
Alfredo Português, Jamelão e Nelson Sargento
Disponível em http://www.estacaoprimeira.org/mangueira/multimedia/sambas-enredo/. Acesso em
01/11/2011.
Brilha no céu o astro-rei
Com fulguração
Abrasando a terra
Anunciando o verão
Outono
Estação singela e pura
É a pujança da natura
Dando frutos em profusão
Inverno
Chuva, geada e garoa
Molhando a terra
Preciosa e tão boa
Desponta
A primavera triunfal
São as estações do ano
Num desfile magistral
A primavera
Matizada e viçosa
Pontilhada de amores
Engalanada, majestosa
Desabrocham as flores
Nos campos,
Nos jardins e nos quintais
A primavera
É a estação dos vegetais
Oh! primavera adorada
Inspiradora de amores
Oh! primavera idolatrada
Sublime estação das flores